Quando o “felizes para sempre” perde espaço para o “não preciso de ninguém para ser feliz”

Lembro de, ainda nova, ler em um alguns fóruns a ideia de que poderia se amar tanto a si mesmo ao ponto de nunca mais precisar de mais ninguém. Aquilo me arrematou como uma promessa de que era sim possível viver uma vida sozinha. A certeza que a leiguice – de um espírito que mal […]
Qual cura estamos buscando?

Quando recebo um novo paciente, tento situar suas expectativas com lupa própria e única, daquelas que eles usam pra enxergar a própria vida. “Em quanto tempo eu vou ficar bem?” me chega antes com a angústia de um peito doído, da pressa de um meio social que espera as grandes curas e descobertas, de uma […]
Quando não houver palavras, que o silêncio nos comunique algo

De tudo que compõe uma sessão, penso como o silêncio é um dos elementos analíticos mais curiosos. Sinto que desaprendemos a ficar em silêncio conforme vamos nos dotando de palavras. Há sempre um ponto a ser esclarecido, uma perspectiva a ser colocada, uma ideia para reforçar… A gente precisa tanto falar que o silêncio passa […]
Às vezes, o ódio é uma conquista

Às vezes, chamo para a dança analítica o ódio, o ressentimento e a agressividade de meus pacientes. Deixo, também, que voltem esses sentimentos para mim. Suporto e vivo suas hostilidades. O perdão cego de momentos que corroeram nossas entranhas nem sempre fazem parte de nosso passado. O presente, por sua vez, pode não estar […]
Divide comigo as dores de teu peito cansado? Prometo não te sarar

É com muita ingenuidade – dessas bonitas, quase infantis- que pensamos poder oferecer cura em nossas relações. Não é menos belo também quando, despidos de onipotência, escolhemos dividir a vida com alguém sem esperar que saremos essas feridas. Dividir as dores de um peito cansado, tal qual escutei enquanto o aplicativo de música pulava no […]
Tic-tac: depressão, sociedade e tempo

08h. O café vem com gosto amargo. Deve ser a responsabilidade sufocante dos prazos curtos. Tic-tac. 12h. Não se espera o intervalo entre as garfadas. Não nos resta tempo. Desaprendemos a comer quando aprendemos as expectativas de lucro e faturamento do mundo contemporâneo. Tic-tac. 18h. Ticam-se todas as tarefas. Criam-se outras no processo. A […]
Que o ideal de felicidade não te poupe de sentir todo o resto…

A amplitude da existência não cabe na busca desenfreada da felicidade. Será, inclusive, que a felicidade deveria ser o destino final? A frase de Calligaris “não quero ser feliz, quero ter uma vida interessante”, talvez caiba nessa reflexão. Para muito além do desejo – que não se esgota nunca- psicanalítico, o qual Contardo se refere […]
Adultecer é menos adulto do que parece

Crescer nos mostra o quanto a vida adulta é menos certa do que achávamos que seria. Caminhar com as próprias pernas, transformar a solidão em solitude e lidar com a consistência – em meio a tantas que imaginávamos na infância e adolescência – da incerteza. Rememorar é dar de cara com a sensação de […]
Olá, mundo!
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